Retrospectiva

26Sep07

No início do ano, o jornal onde trabalhei desde 2005 fechou por falta de investidores. O Extra USA foi um dos únicos jornais brasileiros nos EUA que podem ser chamados de “jornal”. O único com redação com vários jornalistas, redator, editor; com produção massiva de notícia e contrato de distribuição até no Brasil; com projeto gráfico deslumbrante, que não aparentava ser um caderno de anúncios disfarçado de jornal como tantas outras publicações brasileiras nos EUA. Foi um choque para todo mundo e uma tristeza grande quando o jornal veio ao fim. Por dois anos, o Extra USA foi a minha casa. Trabalhar em algo que a gente acredita muda a vida de qualquer um. As amizades que fiz alí, carrego até hoje e, foi alí também que aprendi o sentido do que chamo de “vida sem vida”. Trabalhar horas a fio, sete dias por semana, sem descanço, sem vida social, até a exaustão. Mas, sempre, com muito prazer. Sério, fazer o que se ama é uma coisa louca. Foi no Extra USA que eu tive a oportunidade de ver algumas das minhas matérias publicadas no Brasil, no Yahoo.com.br, no jornal Vale Paraíbano e no O Jornal do Norte. Foi lá que eu tive a oportunidade de entrevistar gente que eu amo e admiro o trabalho, como J.J. Abrams e Tim Robbins. Foi lá que eu desenvolvi um amor inexplicável por Newark – NJ, cobrindo o caderno de Cidades por mais de um ano. Entrevistei (exclusiva) o atual prefeito (aguarde, ele vai ser muito mais que isso nos próximos anos), Cory Booker. Também falei com o atual Chefe de Polícia, o português Anthony Campos (minha primeira entrevista no jornal em 2005), na época do desaparecimento da brasileira Carla Vicentini e entrevistei o Senador de New Jersey, Ronald Rice (na época, candidato à prefeitura de Newark). Quando acabou, é claro que me senti completamente desorientada. Eu sei que as chances de eu conseguir viver nos EUA, escrevendo em Português são mínimas. Eu sei que o Extra foi um dos únicos momentos em que pude voltar a exercitar o Português diariamente. Viver como freelancer não é a minha (eu escrevo, sim, mas eu amo meu dinheiro!), e qualquer uma das outras publicações brasileiras raramente podem ser levadas à sério – exceções existem, claro, o The National é um jornal legal.

Mas, só agora, no final de um novo ano eu pude enxergar que o cliché, “Tem coisas que vêm para o bem”, raras vezes, pode ser verdade. (Quem me conhece sabe que há muito meu lema é “Tem males que vêm para o mal”.)R.Gil* 2007 foi um ano que só pode ser categorizado como, DO CARALHO!



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