Sérgio Mendes, sinônimo de música atemporal

30Oct06

Vanessa Mael

Da Redação

É bem provável que você já tenha assistido à Will. I. Am cantando, com sua banda Black Eyed Peas, a música “Mas Que Nada”, composta por Jorge Ben, e gravada por Sérgio Mendes pela primeira vez há quarenta anos. No clipe, Mendes aparece em imagens de sua infância tocando piano e acrescentando brasilidade à nova melodia criada por Will. O americano grita, “Mas Que Na-da” e a divertida versão da banda pop-hip-hop incendeia o público.

A cançao, que já estrelou comerciais da marca de tênis Nike, durante a Copa do Mundo de Futebol deste ano, é o carro chefe do mais recente trabalho do músico brasileiro, o primeiro após um hiato de oito anos, o disco “Timeless”, lançado em 2006 pela gravadora Concord Records.

Um dos mais celebrados músicos no exterior, Mendes nasceu em Niterói e estudou piano desde criança. No início dos anos 60, passou a se apresentar em jam-sessions de casas noturnas cariocas, especialmente no Beco das Garrafas. O disco do grupo Sergio Mendes & Bossa Rio, de 1964, com arranjos de Tom Jobim, é considerado ícone da Bossa Nova.

“A Bossa Nova foi um movimento musical muito bonito do qual eu fiz parte. Nesta época, foram criadas grandes canções brasileiras. Quando as pessoas escutam músicas de Antonio Carlos Jobim, que são músicas eternas, elas se emocionam. É uma época marcada pela força melódica da música brasileira.”

Ainda nos anos 60, Mendes excursionou por vários países e veio até New York, participar dos grandes concertos da Bossa Nova, realizados na casa de shows Carnegie Hall. O compositor se mudou de vez para Los Angeles, na Califórnia em 1964. Foi lá que ele fundou Brazil’66, grupo que gravou a canção de Jorge Ben, “Mas Que Nada” há 40 anos. A banda também é a responsável pelo disco “Herb Alpert Presents Sergio Mendes & Brazil 66”, que vendeu mais de 1 milhão de cópias.

Em 1993, Mendes alcançou a máximo do reconhecimento internacional, ganhou o prêmio Grammy pelo disco “Brasileirinho”, criado com música dedicada à percussão e que tem a participação de Carlinhos Brown.

Mais do que atemporal, Mendes criou uma obra que demonstra a forte relação de troca cultural entre o Brasil e os EUA . “Timeless” conta com a produção do músico Will. I. Am, da banda americana Black Eyed Peas.

“Eu conhecia o trabalho do Black Eyed Peas e o Will.I.Am me procurou para fazer uma participação no disco Elephunk, de 2003,” conta Mendes. “Nos tornamos amigos e tivemos a idéia de produzir um disco que combinasse as melodias da MPB com hip-hop e rap norte-americanos, que se traduziu no álbum “Timeless”, lançado em 2006.”

Com músicas que misturam soul, hip-hop, rap e bossa-nova, “Timeless” tenta mostrar um pouco da complexidade musical brasileira. “O Brasil é um país de música rica, com um repertório totalmente diferenciado onde você encontra coisas maravilhosas do ponto de vista rítmico e melódico. “Timeless” ajudam a divulgar estes rítmos, esta mistura,” afirmou ele.

O álbum ainda conta com a participação de artistas como Justin Timberlake e Will.I.Am, do Black Eyed Peas. “Um dos meus convidados é o músico Marcelo D2, que eu adoro e é considerado um grande artista. Hoje, o rap é considerado um estilo mundial e jovem. Uma das razões pelas quais eu queria que o Marcelo D2 participasse deste álbum é justamente para registrar a presença de um rapper brasileiro no disco. Tanto na canção “Samba da Benção”, como em “Forrop”, existe a contribuição do Marcelo.”

Mendes gravou “Timeless”, no Brasil, em Los Angeles, nos EUA e em Paris, na França. Com o avanço da tecnologia, o processo de gravação de discos em diferentes países se tornou possível. O música faz uso deste advento como maior ferramente de seu rico trabalho.

“No passado isso seria complicado. Desde a máquina de gravar, cheia de canais, até a fita, os equipamentos eram muito pesados,” relembrou Mendes. “Hoje, com o advento do formato mp3, é muito mais simples gravar em qualquer lugar.”

O músico aproveitou a estadia do rapper O Marcelo D2 na Europa enquanto fazia turnê internacional e se encontraram em Paris para a gravação da participação especial. “Com o Pro Tools (software da empresa Digidesign utilizado para gravação de áudio) meu trabalho fica muito mais fácil, é possível editar ou acrescentar rítmos com rapidez e eficácia. Mas, no final o que importa é a melodia, a música.”

Em turnê mundial, Mendes passou por New York em 13 de Outubro. Em janeiro em 2007 pretende levar sua performance ao Brasil.



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