Orquestra Sinfônica de São Paulo em turnê nos EUA

28Oct06

Vanessa Mael
Da Redação

Criada em 1954, como parte das comemorações pelos 400 anos de fundação da cidade de São Paulo, a Orquestra Sinfônica do Estado (OSESP), figura na primeira linha das sinfônicas do país.

Inaugurada por Souza Lima, foi regida durante 24 anos pelo maestro Eleazar de Carvalho, até que, em 1997, John Neschling assumiu a batuta e passou a escrever um importante capítulo da história cultutal brasileira.

Neschling, primo-neto do compositor Arnold Schoenberg e do maestro Arthur Bodanzky, começou estudar piano quando criança. Seguiu carreira trabalhando com orquestras européias, onde venceu importantes prêmios da música erudita, como o Florença de 1969, a Sinfônia de Londres de 1972 e o Prêmio La Scala de 1976. Também, dirigiu os teatros São Carlos em Portugal, Sankt Gallen na Suíça, Maxximo em Palermo, além de ser residente da Ópera Estadual de Vienna. Nos EUA, em 1996, conduziu a Ópera Il Guarany, de Carlos Gomes, com Plácido Domingo no papel de Peri.

O maestro fez uso do expetacular currículo e abundante experiência para marcar a revolução e transformação da OSESP em uma das mais respeitadas orquestras do mundo, com mais de 138 apresentações anuais. Para convênce-lo a aceitar o cargo de diretor artístico e principal regente, o governo estadual que atendeu às todas suas exigências. Dentre a série de reformulações realizadas, está a localidade na qual a orquestra passou a ser baseada, a Sala São Paulo, construída exclusivamente com esse propósito.

Neschling exigiu também que os funcionários fossem bem remunerados, em função de oferecer estabilidade financeira e abrir caminho para explorar o potencial de cada um de seus músicos que, segundo o maestro, são escolhidos a dedo. “Não é possível oferecer um salário três vezes maior e pedir que a pessoa toque três vezes melhor. Invisto naqueles que têm talento, que podem crescer como músicos.” O orçamento destinado à Fundação OSESP é de US$ 25 milhões anuais, destes, US$ 15 milhões são financiados pelo governo de São Paulo, o restante vêm de doações de empresas privadas.

Em conferência de apresentação da OSESP aos jornalistas de New York, Neschling traçou um histórico da cultura musical erudita brasileira, desde as primeiras criações de peças barrocas, passando pelo período romântico até chegar à realidade atual. “Tivemos uma miríade de compositores clássicos responsáveis por excelentes músicas. No Brasil, temos compositores de primeira classe que já foram completamente esquecidos,” afirmou ele. “Assim, decidi que a missão desta orquestra é reinventar a música erudita brasileira.”

Neschling explicou que faz uma extensa pesquisa da música dos séculos 18 e 19, antes de iniciar as seções de treinamento com os instrumentistas. “Nós procuramos por trabalhos antigos, estudamos, criticamos, fazemos adaptações e reapresentamos as canções mais importantes. É como um estudo antropológico da produção musical brasileira.”

A OSESP está se certificando de que toda a riqueza da nossa música não permaneça perdida e já gravou 25 álbuns temáticos nos últimos cinco anos. “É parte da nossa missão redescobrir esta música e reapresentá-la para o público brasileiro e mundial através das gravações. Temos um contrato com uma gravadora suíça e com a qual já desenvolvemos 12 novos discos. Somos uma das orquestras que mais grava de todo o mundo,” afirmou Neschling.

Para ele, a orquestra brasileira alcançou tamanho sucesso internacional através de sua tática de vitória baseada na recuperação da música brasileira. “Decidimos gravar exclusivamente música erudita brasileira no princípio, a fim de fazer com que a orquestra se torne conhecida. Temos que viajar o mundo mostrando nossa música, gravar álbuns de alta qualidade para, enfim, recriar um interesse internacional na música clássica do Brasil.”

Em dez anos à frente da orquestra, Neschling pode se considerar um homem de extremo sucesso. Ele, que iniciou a Fundação OSESP com apenas três pessoas, conta hoje com mais de 350, que se dividem entre a orquestra, três corais (um coral sinfônico, um coral de câmara e um coral infantil, com mais de 260 pessoas no total), e profissionais que desenvolvem programas de ensino e incentivo e educação para músicos. “O Brasil tem excelente qualidade musical”.

Segundo ele, uma das mais importantes características da música brasileira é sua similaridade à música norte-americana. “Não existe uma separação clara entre a música clássica e a música popular brasileira,” explica. Neschling estabelece um paradoxo entre a riqueza da música popular brasileira e americana através de comparações entre MPB e Jazz.

“Vários dos maiores compositores de MPB, como Tom Jobim, Egberto Gismonti e, até Heitor Villa Lobos são considerados populares. Não são vistos como um músicos clássicos. Villa-Lobos tocou guitarra e violão mas, tocava cello muito bem. E, o mais importante, ele era auto-ditada e teve como mestre, Antônio Francisco Braga, um dos mais interessantes compositores da música clássica romântica brasileira.”

Em turnê norte-americana com a OSESP, se aparesentará em New York, Maryland, North Carolina e Florida, na série de concertos que incluem o célebre instrumentista Antônio Meneses, mestre do violoncelo. Serão executandas peças de Shostakovich “Festive Overture”, Tchaikovsky “Variations on a Rococo Theme, Opus 33” e Rachmaninoff “Symphony No. 2”, além da obra de Heitor Villa Lobos.

Para o o futuro, Neschling informou que iniciará a recriação do trabalho de Alberto Nepomuceno, que deverá ser transformado no próximo disco da OSESP. “Ele escreveu a primeira sinfônia romântica das Américas e é comparado aos compositores pré-expressionistas,” disse.

Os ingressos para as apresentações em New York custam entre $25 e $35 dólares, para 1º de novembro, no Auditório Grace Rainey Rogers, do Metropolitan Museum of Art e em 4 de novembro, no Lehman Center, no Bronx.



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