Difícil é escolher

27Jul06

CULTURA – Difícil é escolher

Vanessa Mael, do Extra/Especial para BR Press
(Nova York, BR Press*) – Uma fusão internacional de arte, o 10th Lincoln Center Festival acontece até 30/07 e requer muito fôlego para assistir a todas as produções artísticas selecionadas nesta edição do evento. São 53 trabalhos de oito países diferentes incluindo drama, ópera, dança, música, filme, painéis de discussão e eventos especiais que devem acontecer em oito teatros ao redor e no centro cultural. Tudo grátis.

Em seus 10 anos de história, o Lincoln Center Festival já apresentou mais de mil performances de artistas de 50 países diferentes. Dos trabalhos apresentados, 110 foram especialmente desenvolvidos para a mostra.

Dança e teatro

Entre os maiores destaques está a ópera Grendel, uma realização da LA Opera House, de autoria de Julie Taymor e Elliot Goldenthal, baseado no livro homônimo de 1971, de John Gardner. Também merece destaque o espetáculo de dança contemporânea Telophaza, da companhia israelita Batsheva Dance Company, sob a direção de Ohad Naharin; a peça teatral Geisha, uma produção Theater Works Singapore, sob direção de Ong Keng Sen; e o número Blind Date, coreografado por Bill T. Jones, apresentado pela Arnie Zane Dance Company.

O poema de época Beowulf conta uma história de solidão sob o ponto de vista do monstro, que se mostra um sensível observador com um senso de humor macabro. Aventuras da feroz criatura em batalha com diversos oponentes são reproduzidas no palco, provocando arrepios na platéia e incitando à reavaliação do que é certo e errado. A adaptação da novela de Gardner pelo grupo La Opera mostra que ópera não é feita apenas de música e histórias dramáticas, mas de um cenário e decoração hollywoodianos, efeitos especiais, fantasias e elenco de primeira.

A figurinista Canstance Hoffman e o cenógrafo George Tsypin trabalharam de perto com a diretora Julie Taymor (formada em Mitologia e Folclore, pelo Oberlin College), para atingirem o grau de misticidade desejado por Taymor. Conhecida pelo seu trabalho em O Rei Leão, na Broadway, a diretora construiu um mundo visual que conta boa parte da história.

Durante o Lincoln Center Festival de 2006, os amantes da dança contemporânea terão um leque de opções variadas à sua disposição. A organização do festival seleciona renomadas companhias de dança e expressão corporal do mundo todo, como a Batsheva Dance Company, de Israel, para participar de um dos eventos culturais mais disputados de Nova York.

A conceituada companhia de dança israelita apresenta uma distinta visão artística. O coreógrafo e diretor artístico Ohad Naharin é um experimentalista por natureza. No espetáculo Telophaza, quatro telas de vídeo gigantes são instaladas no teatro e apresentam close-ups dos 40 dançarinhos, executando os mais impossíveis movimentos.

As músicas escolhidas para acompanhar a apresentação refletem a emoção e a sensualidade dos movimentos. A diversidade está sempre presente, como nas notas dos extremistas da música eletrônica – muito popular em Israel – David Toop e Otomo Yoshide, passando pelo rock de Bruce Springsteen, até os clássicos da Bollywood Brass Band.

O tema já chama atenção dos ocidentais por si próprio: o conceito de Geisha, mulher oriental que nasceu para servir dar prazer para os homens, permanece mistério atrativo para o ocidente. Na peça do Theaterworks Singapore, dirigida por Ong Keng Sen, o palco do Gerald W. Lynch Theater fica coberto por tapeçarias japonesas, adaptando as casas de chás onde geishas e maikos (aprendizes de geishas), atendem à uma rica clientela de empresários.

A intenção do diretor Keng Sen é levar o público para uma viagem ao mundo de uma geisha, desde sua infância até os estressantes anos de aprendizado de boas-maneiras, passando pela arte de organização de flores, kimonos, perucas e extremamente complicadas técnicas de maquiagem. Entretanto, o ponto alto do treinamento de uma geisha, é a habilidade de conversar com qualquer tipo de cliente.

Dentro do grupo de produção cinco-estrelas selecionado pelo diretor Keng Sen, se destacam o DJ Toru Yamanaka, a narradora Karen Kandel, o dançarino Gojo Masanosuke.

Colisão de sentimentos

Nas mãos do coreógrafo Bill T. Jones, questões como patriotismo, honra, sacrifício e lealdade são retratadas através da dança. Jones questiona conceitos e definições de valores em um mundo dominado pelo fervor nacionalista e religiosidade cega.

O grupo Arnie Zane Dance Company é um dos mais intrigantes conjuntos de dança contemporânea, conta com uma instalação de vídeos que focalisa em detalhes da coreografia, assim como cenários que mudam constantemente durante a apresentação. A trilha sonora varia de clássicos, como Bach, a contemporâneos como Otis Redding.

O espetáculo Blind Date pode ser classificado como um trabalho multimídia, que provoca a colisão de sentimentos e uma apresentação visual hipnotizante.

Lincoln Center – Columbus Ave e 65th Street, New York, NY

(*) Conteúdo do jornal Extra, publicado nos EUA, e distribuído no Brasil pela BR Press.

No jornal foi publicado de forma diferente, com uma análise mais detalhada de cada um dos quatro espetáculos citados do Lincoln Center.



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