Disney Nightmare – Part II

26Aug05

Day 2 – Na manhã do nosso primeiro dia na Flórida tivemos que correr atrás de tickets para os parques. Tudo isso porque não fizemos o que deveria ter sido feito e comprado os tais tickets ainda em NY, antes de chegarmos lá. É nisso que dá, acordamos cedo, e fomos tomar café da manhã num hotel bacana, que vende os tickets a um preço muito mais em conta, e enquanto as meninas comiam, eu tentei resolver o nosso problema. Não deu certo, eu saí do hotel com um ódio tremendo e com fome.

Seguimos para o Island of Adventure – Universal e tivemos que pagar o preço normal de todos os parque que nós decidimos ir, isso fez com que cortássemos o número de parques de 9 para 6.

Apesar da manhã podre, este foi um dos melhores dias. Conseguimos ver praticamente o parque todo, foi o parque mais interessante, e nós ainda não tinhamos brigado.

Day 3 – Repetindo o dia anterior nós fomos para a Universal Studios, que também foi muito legal e tinha a melhor montanha russa da viagem toda: Múmia. Isso porque descartamos viajar até Tampa para ir ao Bush Gardens (que deve ser um parque fantástico!), por causa de grana. Eu eu ando preocupada, aparentemente eu perdi total o medo de ir em Montanha Russa, não passei medo em nenhhuma (eu caracterizo “passar medo” o estado em que eu chego que até chorar eu choro quando o carrinho começa a nadar, como aconteceu no Six Flags). Definitivamente eu virei um homem.

Pegamos um dia quente dos infernos, filas enormes e não cosneguimos completar o parque todo. Pena, Pena.

Day 4 – Primeiro dia de Disney – Epcot. A Lily ficou doente, passou um tempo na enfermaria do parque e perdeu parte dos rides. Fora isso tudo correu bem smooth. Foi o dia de maior resistência minha em relação à Disney. O clima de perfeição, e “todos viemos felizes para sempre” me incomodava. Mais tarde eu fui desenvolvendo que aquilo alí não tem absolutamente nada a ver comigo.

O parque é muito diferente do que eu imaginava, e muito menor. Vir para a Disney com 22 anos foi, definitivamente, uma má idéia. Talvez se eu tivesse vindo 10 anos mais nova, ou sem nunca ter morado aqui, talvez eu achasse tudo maravilhoso, e ficasse encantada. Não sei explicar, de uns tempos para cá pouquíssimas coisas me deixam admirada, ou encantada. Talvez morar aqui fez isso comigo.

Achei a Disney nada demais. Claro, padrão Disney em tudo, limpeza, organização, beleza, música. Mas ainda assim, nada com que eu não esteja acostumada. É, com exceção da minha casa…. Anyway, nada de demais. Pena, acho que perdi alguma coisa, de conhecer um lugar e achar “Wooooww, that’s amazing!” Não aconteceu desta vez.

Day 5 – Um dos piores dias. Animal Kingdom. As a bad person that I am, I like animals, in the zoo, in the wild, very, very far from me. And I like myself in the city, surrounded by trafic-lights, pollution, concrete, etc… Então o Animal Kingsdom foi extremamente boring para mim. Eu não tenho sonhos de fazer safaris na África. É o tipo de coisa que se acontecer, ok, vai ser fantástico pela experiência, mas eu não me esforçaria muito para que isso aconteça na minha vida.

Eu estava cansada (resultado de quatro meses em que eu não tenho me cuidado, só cansado, cansado, cansado, sem absolutamente nenhum final de semana de folga. Cansaço acumulado por mais de um mês fora de casa, dormindo por aí, ou na casa dos outros, longa história.), sem paciência, e com calor. Cranky. Para completar teve discussão pra caralho. Clima péssimo entre eu e as meninas.

Day 6- Descanso. Nossa, a idéia de fazer parques todos os dias, pelo menos para mim, parece ridícula agora. Eu não consigo mais fazer isso, não no estado em que eu ando. Passamos o dia na piscina do hotel (meu lugar preferido da Flórida), onde eu pedia beber e fumar tranquila. Absolutamente ninguém me enchendo o saco.

Fomos na Pleasure Island a noite. Uma delícia. Por mim voltaria todos os dias. Este negócio de andar nas ruas no calor, poder consumir alcool, fumar, ver gente do mundo todo e escutar música altíssimo é muito a minha praia. Passeamos pelas lojas, achei altos presentes bacanas para o pessoal (para Amanda, um switch plate da Betty Boop e da Coca-cola, muito lindo; para mim imã do David and Goliath, promoção de DVds da Virgin).

É eu não estou falando muito do ponto ruim da viagem. Focus, Vanessa, focus.

Nesta noite eu me perdi dentro do Wyndham Hotel e não me encontrava mais, e o taxista que nos buscaria deu para trás e simplesmente desligou o celular.

Day 7 – MGM Studios. Deve ser o parque mais legal da Disney. Aquele em que eu esqueci todos os meus beliefs a respeito da corporação e consegui me divertir de verdade. De manhã, é claro que rolou estress entre as meninas, briga e discussão até que nos separamos. Eu e a Ju para um lado, a Lily e a Karina para o outro e assim ficou o restante todo da viagem. Rítimos diferentes, clima ruim, não tinha como ser diferente.

Eu e a Ju passeamos tranquilas, descansamos bastante, fomos seguidas vezes à Rock and Roller (a montanha mussa do Aerosmith! – cara eu achei isso muito legal), e assistimos ao Fantasmic, um show lindíssimo que acontece no final da noite. Aliás, o que eu assisti de teatro, show, parada, fogos de artifícios, foi absurdo, eu já confundi tudo e virou um show só na minha cabeça. Mentira. O Fantasmic é o mais cool, porque é o show mais dark. Bruxas enfeitiçam o Mickey (do caralho!), e ele começa a ter pesadelos, com pitadas do filme Fantasia passando numa queda d’água, e todas as princesas sendo afogadas. A-do-rei. I hate fary tales. Claro que no final o Mickey tira forças sabe-se lá de onde e mata as Bruxas e todos vivem felizes para sempre. Isso é muito cretino. Mas o show é lindo.

Day 8 – Deveríamos ter ido ao Sea World. No money, no cash. As meninas foram para a Universal, gastar o terceiro dia de ticket free e eu e a Ju ficamos no Hotel e decidimos visitar os outlets. Comprei presentes para quem mais estava faltando, e nos perdemos voltando para casa. Dencanso.

Day 9- Magic Kingdom. Se eu desconfiei a viagem toda que meu guia da Lonely Planet estava totalmente desatualizado, neste parque eu tive certeza. Muita coisa faltando. Você pode defender dizendo que é o aniversário de 50 aos da Disney e que por isso tem atrações e shows novos. Eu chamo de guia desatualizado mesmo.

Ok, Magic Kingdom, que de magic mesmo tem muito pouco. Sim, é o único momento na Disney que você realmente se sente “na Disney.” Mas, ainda assim, é mais fraco do que eu imaginava. Eu tive 23 anos para construir, com o depoimento de todos os meus amigos que já vieram para cá, minhas idéias do que seria o parque. E no meu mundo ele era enorme, gigantesco, infindável. Expectativa muito grande, decepção proporcional.

Calor, muito, muito calor. Cara, fez 119º neste dia. Fala sério, que ser humano aguenta isso? É nestes momentos que eu tenho segundos de insanidade e desejo que fosse inverno e que eu estivesse em NY. Este verão foi incrível, é um história de verão mais quente em 45 anos em Chicago, 60 anos na Flórida. Coisa absurda, meus pés fritavam na sandália, a ponto de eu não conseguir mais usá-la. Parada, sorvete, parada, coca-cola. E como tudo é caro nesta desgraça de Disney. Se você contar o quanto eu gastei de cola-cola. Vamos lá: $2.00 cada garrafa. Eu preciso de uma nova cada vez que eu vou fumar. 20 cigarros em um maço. 1 maço por dia. O resultado é horrível. O calor parece que fez pacto com o parque. Não, com a Coca-cola. Até a água que vende lá é da coca-cola.

Foi o dia em que eu mais xinguei a falsidade toda que a Disney representa. Não xinguei para a Ju, coitada, que eu não ia encher o saco da menina com a minha chatice. Mas quanto mais eu via aquela coisa falsa, mais eu pensava nos meus problemas e fui me afundando num ciclo sem fim de sorriso falso, coração quebrado, e assim por diante. O clima de perfeição me irritava, o clima de conto de fadas me irritava.

I don’t fucking believe in fairy tales. Desde quando era pequena. Minha mãe me comprou uma coleção de livros da Disney. E ela lia aquelas história incríveis (eu tinha cinco anos, come on…), e eu detestava os finais. Como assim “viveram felizes para sempre?” Eles tiveram filhos? O cara traiu a princesa (tema muito recorrente na minha vida real)? Eles tiveram filhos? Ela teve dificuldade para engravidar? O que eles faziam o dia inteiro? Qual era o hobby da criança? Enfim, este negócio mal explicado de “lived happly ever after” não cola. Eu quero saber o que aconteceu depois, e eu aposto que não foi tão feliz assim a história.

Com certeza, debaixo daquele sol todo, a história não foi feliz.

***

Wishes: eu não tenho como não falar bem deste show. Último show que eu assisti por lá, e até chorar eu chorei. A trilha é linda, os fogos são fantásticos. É completamente daquela merda que tem no Brasil, uma barulheira do inferno, eu morria de medo. Aqui fogos de artifício é sinônimos de cores, luz e não barulho. Teve até Tinkerbell que saiu voando do Castelo da Cinderela. Rídiculo eu falando isso, certo? Man, eu chorei. Juro. Ou o show realmente era muito lindo, ou como foi o último show que eu assisti, eu devo ter me rendido aos encantos do parque. Nunca acredito em um lado só da história, mesmo que a história seja minha.

Day 10- Hotel. Pelo amor de Deus. Nem que se eu tivesse muitos dólares eu sairia do hotel neste dia. Eu comecei a delirar com minha cama em NJ. Não aguentava mais. Tirei o dia para nadar, dormir, nadar, fumar, nadar, dormir. Isso é que tem gosto de férias.

Day 11- Um daqueles dias que você só consegue se preocupar com a volta para casa. Quer notícia pior do que “nothing happend?” Ah, sim, tem uma pior. Um amigo meu me liga, e me deixa mensagem. Quando eu chego em Manhattan, eu escuto o seguinte: “Olha, eu tô em Mimi Beach e eu sei que você está em Orlando, vem para cá passar a semana comigo?” Eu odeio não ter escolhas.



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